Destaques
- O escutismo metodista nasce do coração da Igreja, como resposta ao desafio de educar as novas gerações na fé e no carácter.
- O escutismo metodista será uma escola de liderança e cidadania.
- Ser escutista metodista é assumir a missão de educar com amor e servir com alegria.
Num ambiente de profunda espiritualidade, compromisso e celebração, a Igreja Metodista Unida em Angola testemunhou um dos momentos mais marcantes da sua história recente. No Templo do Redentor, em Luanda, 28 líderes escutistas prestaram juramento solene de fidelidade, serviço e dedicação cristã, tornando-se nos primeiros líderes oficialmente investidos no movimento escutista na igreja Metodista Unida em Angola.
O acto que reuniu fiéis, famílias, dirigentes e convidados, foi testemunhado pelo Assistente do Bispo, Reverendo Manuel André, Rev. Francisco Bernardo Neto e pela Revda. Elvira Cazombo, pregadora do culto solene e voz inspiradora da cerimónia. Do lado da Associação dos Escuteiros de Angola esteve o presidente do comité nacional dos escuteiros Azevedo Ebo, o director nacional Kikas Machado, o director adjunto Benja Satula, entre outros líderes.
Um marco histórico para o metodismo angolano
O juramento dos 28 líderes representa mais do que um simples ato simbólico. É o início de um novo ciclo de organização e fortalecimento do escutismo metodista em Angola, um movimento que busca formar crianças, adolescentes e jovens sobre os valores cristãos de serviço, disciplina, solidariedade e amor ao próximo.
Na sua intervenção, o Reverendo Manuel André destacou a dimensão espiritual e institucional do momento. “O escutismo metodista nasce do coração da Igreja, como resposta ao desafio de educar as novas gerações na fé e no carácter. Hoje, testemunhamos o compromisso de homens e mulheres que decidiram ser guias de caminho, pastores da juventude e exemplos de serviço cristão no mundo”, afirmou Manuel André. “Hoje escrevemos uma nova página na história da Igreja Metodista Unida em Angola”.
André também defendeu que o escutismo metodista é uma ponte entre a fé e a ação, destacando que os 28 líderes são os primeiros construtores dessa ponte.
A cerimónia teve o seu ponto alto com o acto de juramento e bênção dos lenços escutistas, símbolo de identidade, pertença e responsabilidade. Os novos líderes prometeram viver e servir segundo os princípios do movimento, comprometendo-se a serem instrumentos de transformação social e espiritual nas suas comunidades.
Uma celebração de fé, serviço e compromisso
O ambiente de comunhão no Templo do Redentor era de profunda emoção. Entre cânticos, leituras bíblicas e gestos de fraternidade, o culto destacou a importância da juventude na missão da Igreja Metodista Unida e o papel fundamental dos líderes escutistas na formação integral das novas gerações.
A Reverenda Elvira Cazombo, pregadora do dia, conduziu uma mensagem inspiradora baseada no livro do Gênesis 1:31 – focando-se num dos princípios do movimento escutista, que é a espiritualidade ecológica, assim como a relação entre o homem e a natureza, exortando os presentes ao cuidado do bem comum, a transformar o amor em serviço e a fazer da vida um testemunho de Deus no meio dos outros”, sublinhou.
O Reverendo Francisco Bernardo Neto, por sua vez, reforçou o papel do escutismo como ferramenta pedagógica e espiritual dentro da Igreja: “O escutismo metodista será uma escola de liderança e cidadania. Aqui, formaremos discípulos de Cristo capazes de servir a Igreja e a nação. Este é apenas o começo de uma caminhada que exigirá dedicação, formação e fé”, declarou Bernardo Neto.
Os testemunhos: vozes de um compromisso vivido
Para muitos dos novos líderes, o juramento representou o culminar de meses de formação, estudo e reflexão espiritual. Elias Bizela, um dos líderes investidos, partilhou a emoção de fazer parte deste momento histórico: “Sinto-me profundamente honrado e abençoado. Ser escutista metodista é assumir a missão de educar com amor e servir com alegria. É levar o Evangelho às ações diárias, especialmente junto das nossas crianças e jovens.”
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Já a Pastora Debora, que também faz parte do grupo de líderes escuteiros, agradece em primeiro lugar o papel do líder em aceitar o movimento no seio da Igreja. “É um Movimento que desde a minha juventude sempre pensei em fazer parte do mesmo”, disse Debora. “Hoje é um privilégio ser contada entre os líderes do Movimento Escutista da Igreja e por isso agradeço a Deus”.
“Vivemos tempos em que os jovens precisam de orientação e valores sólidos. O escutismo vem exatamente para isso: para ensinar o respeito, a disciplina e o amor ao próximo. É um privilégio servir a Igreja e contribuir para o crescimento espiritual da nossa comunidade, é na verdade a prática do que a promessa da juventude da nossa igreja nos ensina”, concluiu Debora.
Entre os presentes, o sentimento era unânime: o juramento dos 28 líderes representa uma semente lançada num terreno fértil, com promessas de grandes frutos para o futuro do metodismo angolano.
O simbolismo do lenço e do compromisso cristão
Um dos momentos mais marcantes da cerimónia foi a imposição dos lenços escutistas, feita pelos dirigentes eclesiásticos. O lenço, elemento tradicional do escutismo, assume no contexto metodista um significado espiritual profundo: ele representa a aliança com Deus, a Igreja e a comunidade.
A Igreja Metodista Unida reforça o seu compromisso com a formação integral dos seus membros e com o fortalecimento das estruturas de liderança que servirão de exemplo para as gerações vindouras.
O Assistente do Bispo, ao abençoar os lenços, exortou os novos líderes a manterem-se firmes no compromisso assumido. "Sempre que colocarem este lenço no pescoço, lembrem-se do vosso juramento diante de Deus. Que Deus vos faça lembrar sobre a responsabilidade que têm de servir com humildade e fidelidade e de orientarem com amor e sabedoria as crianças e jovens que vos são confiados.”
O futuro do escutismo metodista em Angola
A prática do Escutismo de forma oficial na igreja Metodista em Angola é algo relativamente recente. Depois de um período de conversações entre a Junta Central da Associação de Escuteiros de Angola e a liderança da Igreja Metodista Unida de Angola, foi aceito o pedido da Igreja de adoptar o Escutismo na sua pastoral, aceitação tornada oficial através da Ordem de Serviço Nacional n°031/JC/2024.
A investidura dos 28 líderes é o primeiro passo de um projeto mais amplo de expansão do escutismo metodista em Angola, que pretende alcançar todas as regiões e distritos eclesiásticos nas duas conferências anuais. Segundo fontes da coordenação do movimento, já estão em curso planos de formação contínua, encontros regionais e acampamentos nacionais, que irão consolidar a estrutura e fortalecer a rede de líderes e grupos locais.
A iniciativa surge como uma resposta prática ao apelo da Igreja, que defende o escutismo como um instrumento eficaz de evangelização, discipulado e transformação social entre os jovens.
Da Cruz é comunicador da conferência anual do Oeste de Angola.