Pontos-chave:
- A bispa Minerva Carcaño destacou o discipulado das mulheres e a necessidade de derrubar barreiras sociais e práticas de exclusão.
- A bispa LaTrelle Miller Easterling relatou como o acolhimento e o apoio de Pupo Ortiz contribuíram para seu retorno à Igreja Metodista Unida.
- A celebração bilíngue reafirmou o valor da diversidade cultural, da unidade cristã e do compromisso das igrejas de acolher as pessoas marginalizadas.
A congregação da Igreja Metodista Unida (IMU) Epworth, em Gaithersburg, celebrou o Domingo da Comunhão Mundial com um culto bilíngue repleto de música, aplausos e danças. A celebração também prestou homenagem à Revda. Yolanda Pupo Ortiz, carinhosamente conhecida como “La Pastora”, cujo ministério tem sido caracterizado pelo acolhimento das pessoas e por ajudá-las a encontrar seu lugar na igreja.

Com pandeiros e maracas, aplausos e danças, a IMU Epworth, em Gaithersburg, celebrou o Domingo da Comunhão Mundial com um culto bilíngue no qual reconheceram o ministério da Revda. Pupo Ortíz, cujo trabalho tem ajudado gerações de pessoas a encontrar seu lugar na igreja. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
Em 4 de outubro, integrantes do Comitê de Ministério Hispano-Latino das áreas de Baltimore-Washington e Peninsula-Delaware se reuniram para participar do culto. A bispa Minerva Carcaño pregou o sermão, com interpretação do Rev. Giovanni Arroyo. A bispa LaTrelle Miller Easterling, Pupo Ortiz e Samantha Villegas, uma jovem líder leiga, presidiram a celebração da Comunhão.
Carcaño falou da profunda sensação de pertencimento que experimentou durante o culto, depois de ter sentido frequentemente a solidão de ser uma mulher de pele morena.
“Vê-los cantando juntos, tanto em inglês quanto em espanhol, enche meu coração de alegria. É como o Reino de Deus”, expressou.
“Podemos sentir juntos a presença do sagrado”, acrescentou. “Vocês estão no caminho certo. Por favor, continuem nos guiando adiante”.

A Revda. Jennifer Fenner e Marcela Uberhuaga conduziram a convocação para o culto, escrita pela Revda. Yolanda Pupo Ortiz, que celebrou a diversidade de passos, vozes, sotaques e histórias que se aproximam da mesa de Deus. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
A convocação para o culto, escrita por Pupo Ortiz, foi conduzida pela Revda. Jennifer Fenner e por Marcela Uberhuaga. O texto evocava a diversidade de passos, vozes, sotaques e histórias que se aproximam da mesa de Deus. Durante a procissão, as pessoas participantes levaram os elementos da Comunhão enquanto a congregação respondia:
“Caminhamos juntos em direção à mesa da vida e da esperança, a mesa para a qual nosso Deus e Senhor nos convida”.
A evolução de uma discípula excelente
Em seu sermão, intitulado “A evolução de uma discípula excelente” e baseado em Lucas 10:38-42, Carcaño refletiu sobre o relato bíblico de Marta e Maria. Ela expressou preocupação com a tendência de apresentar essas duas irmãs como rivais, uma interpretação que pode fomentar a competição entre as mulheres.
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A partir do testemunho de Pupo Ortiz, Carcaño propôs uma leitura diferente da história: tanto a hospitalidade de Marta quanto o desejo de Maria de aprender representam expressões corajosas de discipulado em um mundo que historicamente limitou as oportunidades das mulheres.
“Em Marta e Maria, Jesus viu duas discípulas com o potencial de romper leis injustas e derrubar barreiras sociais profundamente arraigadas”, afirmou Carcaño.
O ministério de Pupo Ortiz tem se destacado por abrir as portas da família de Deus, questionar a exclusão e criar espaços para aqueles que foram marginalizados. Nessa perspectiva, o Reino de Deus significa que todas as pessoas importam e que aqueles que sofrem recebem cuidado e acompanhamento.
Carcaño lembrou que Pupo Ortiz lhe havia dito certa vez: “Precisamos resolver as divisões que criamos na Igreja Metodista Unida, perdoando uns aos outros e reconhecendo que nenhum de nós é uma pessoa perfeita”.
“Mas esse trabalho sagrado não é realizado à distância nem em isolamento, mas por meio do compromisso de nos aproximarmos da outra pessoa com vulnerabilidade, compartilhando nosso ser com ela e nos esforçando para compreender seus pensamentos e sua dor”, observou Carcaño.

A Revda. Yolanda Pupo Ortiz, nascida em Cuba, desenvolve seu ministério de acolhimento e inclusão na Igreja Metodista Unida nos EUA desde sua chegada ao país, na década de 1960. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
“Isso exige uma mudança de coração”
Nascida em Cuba, Pupo Ortíz chegou aos Estados Unidos com seu marido. Em 1983, tornou-se a primeira mulher latina ordenada na Conferência Anual da Nova Inglaterra da Igreja Metodista Unida. Ao longo de sua trajetória, exerceu funções de liderança pastoral, colaborou com a Comissão Geral de Religião e Raça e preparou recursos para o culto em espanhol.
Durante a celebração, líderes da igreja prestaram homenagem à sua trajetória. A congregação respondeu com aplausos quando foi destacado que “ela é e continuará sendo nossa bispa emérita hispânica”, uma expressão do carinho e do reconhecimento que conquistou na comunidade.
A congregação também cantou “Heme aquí”, a versão em espanhol do hino “Here I Am, Lord” (“Aqui estou, Senhor”), cuja tradução para o hinário oficial em espanhol da Igreja Metodista Unida foi realizada por Pupo Ortiz.
O Rev. Eliezer Valentín Castañón destacou o lugar especial que a pastora ocupa na comunidade: “Quando a senhora dizia ‘La Pastora’, todo mundo entendia”.
O comentário refletiu a influência de Pupo Ortiz tanto em sua conferência anual quanto no ministério hispano-latino da denominação.
Um acolhimento que transforma vidas
A bispa Easterling compartilhou um testemunho pessoal sobre a importância de se sentir acolhida em uma comunidade de fé.

A bispa Easterling (à esquerda) destacou a forte ênfase do ministério da Revda. Pupo Ortíz no acolhimento e na inclusão, e como isso contribuiu para seu retorno à Igreja Metodista Unida. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
“Nunca se sabe o que uma acolhida pode significar para uma pessoa, nem o que a falta de acolhimento pode lhe causar”, afirmou.
Easterling nasceu e foi criada na Igreja Metodista Unida, mas acabou se filiando à Igreja Episcopal Metodista Africana depois de não se sentir acolhida em congregações metodistas unidas do Colorado, há mais de 35 anos.
Mais tarde, enquanto estudava na Escola de Teologia da Universidade de Boston, estabeleceu um relacionamento com Pupo Ortiz. O acolhimento e o reconhecimento que recebeu dela contribuíram para seu retorno à Igreja Metodista Unida. Pupo Ortiz reconheceu seus dons e a incentivou a desenvolver seu ministério.
“A senhora é parte da razão pela qual estou aqui hoje, diante do povo, de volta à Igreja Metodista Unida”, expressou Easterling.
“A senhora não tem ideia de quanto me abençoou e de como me fez sentir acolhida”.
Durante o exercício da liderança episcopal de Easterling, a conferência teve de enfrentar manifestações de supremacia branca e a queima de faixas destinadas a intimidar a comunidade. O testemunho de Pupo Ortiz e sua maneira serena, mas firme, de dizer a verdade diante daqueles que exerciam o poder ajudaram a fortalecer a coragem necessária para marchar, protestar e permanecer firmes.

Beatriz Arze, líder da congregação de Epworth, prestou uma emocionante homenagem à Revda. Yolanda Pupo Ortiz, na qual expressou sua gratidão e lembrou o acompanhamento pastoral que ela ofereceu à comunidade em momentos difíceis. Suas palavras foram interpretadas por Valentín Castañón. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
A congregação aplaudiu quando Easterling reconheceu a influência de Pupo Ortiz nas comunidades hispano-latinas, afro-americanas e em outras comunidades.
“Somos quem somos porque a senhora é quem é”, disse Easterling. “E sempre terei orgulho de chamá-la de minha pastora”.
Beatriz Arze, líder da congregação de Epworth, também ofereceu algumas palavras de homenagem, interpretadas por Valentín Castañón. Sua intervenção foi marcada pela emoção e pela gratidão, assim como pelas lembranças do acompanhamento pastoral que Pupo Ortiz ofereceu durante momentos difíceis.
A congregação participou de uma ladainha de ação de graças que lembrou seus antepassados, aqueles que cruzam fronteiras com esperança e fé e as igrejas que sustentam as famílias. A resposta da comunidade foi: “Obrigado, Senhor”.
Prevê-se reunir as convocações para o culto, as orações e as ladainhas escritas por Pupo Ortiz para criar um recurso litúrgico que possa ser utilizado em toda a igreja.
Uma mesa para muitas histórias
A mesa compartilhada expressou concretamente o significado do Domingo da Comunhão Mundial. Uma única liturgia, celebrada em dois idiomas, e uma mesma refeição sagrada deram testemunho da unidade e do pertencimento que podem transcender as diferenças culturais e linguísticas.

Da direita para a esquerda, Samantha Villegas, jovem integrante leiga da congregação, a Revda. Yolanda Pupo Ortiz e a bispa LaTrelle Miller Easterling participam da celebração da Santa Comunhão. Foto cedida pela Conferência Anual de Baltimore-Washington.
O convite à Comunhão dizia:
“Cristo, nosso Senhor, convida à sua mesa aqueles que estão cansados e aflitos; aqueles que se sentem sozinhos em meio à grande multidão que parece correr sem rumo; aqueles que foram feridos no mais profundo de suas almas”.
As crianças receberam a Comunhão primeiro. A oferta recolhida durante o culto foi destinada a apoiar a resposta do Comitê Metodista Unido de Alívio (UMCOR, na sigla em inglês) aos terremotos.
A celebração terminou com um jantar compartilhado, música e danças folclóricas.
Na bênção final, Easterling incentivou as pessoas presentes a saírem da celebração com o compromisso de abrir espaço para os outros.
“Que saiamos desta mesa decididos a abrir espaço para outras pessoas, a segurar a mão de alguém, a dar as boas-vindas a quem vem de fora, a honrar cada história, a levar esperança e cura e a encarnar um amor que não conhece fronteiras.
“Somos muitos povos, mas uma só mesa; muitas histórias, uma só família; muitos dons, um só Espírito”.
*Alison Burdett é diretora de Comunicações da Conferência Anual de Baltimore-Washington da Igreja Metodista Unida. Para ler o artigo original em inglês, clique aqui. Para consultas à Notícias MU, entre em contato pelo telefone (615) 742-5470 ou pelo e-mail IMU_Hispana-Latina@umcom.org. Contato para a imprensa: Julie Dwyer, pelo e-mail newsdesk@umnews.org. Para ler mais notícias metodistas unidas, ideias e inspiração para o ministério, inscreva-se gratuitamente no UMCOMtigo.
** Sara de Paula é tradutora. Para contacta-la escreva para IMU_Hispana-Latina@umcom.org.