Pontos chave:
- A MARCHA revisará sua estrutura e missão, incluindo estatutos, organização e sustentabilidade financeira.
- A defesa das comunidades imigrantes continuará sendo uma prioridade, juntamente com a educação e a participação cívica.
- O caucus fortalecerá seus vínculos latino-americanos e seu fundo de dotação, incluindo relações com Honduras, o Conselho Metodista Mundial e outras igrejas metodistas.
Uma revisão profunda da estrutura da MARCHA
Um dos resultados mais significativos do encontro anual do Caucus Hispano-Latino da Igreja Metodista Unida (MARCHA) foi a aprovação de uma resolução para realizar uma revisão abrangente de sua estrutura organizacional e de seus estatutos.
O encontro da MARCHA (Metodistas Associados Representando a Causa dos Hispano-Latino-Americanos) foi realizado de forma virtual entre 31 de julho e 1º de agosto, depois que seu Conselho Diretivo decidiu alterar o formato do encontro presencial previsto para Porto Rico. A decisão aconteceu por causa do contexto migratório vivido pelos Estados Unidos, caracterizado pelo aumento das ações de controle migratório e por um clima de medo entre as comunidades hispano-latinas.
Para a MARCHA, manter o encontro presencial nessas circunstâncias poderia colocar em risco a participação de pessoas cuja mobilidade é condicionada pelo seu perfil racial, situação migratória ou pelo medo de serem detidas.
A Dra. Emma Escobar, presidente da MARCHA, explicou que o processo responde à necessidade de avaliar uma organização cuja estrutura não passava por uma revisão profunda há várias décadas, período em que a Igreja e as comunidades que ela serve vivenciaram transformações importantes.
O Conselho Diretivo recebeu o mandato de conduzir o processo de análise da missão, visão, estrutura organizacional, estatutos e capacidade financeira da organização. "Precisamos de apoio externo para realizar este trabalho", explicou Escobar, destacando que se cogita a contratação de um facilitador com experiência no desenvolvimento de capacidades organizacionais.
O processo deverá ser concluído em menos de seis meses, e as propostas resultantes serão apresentadas aos membros para apreciação e eventual aprovação.
A próxima assembleia deverá definir as mudanças
O processo de revisão será incorporado à próxima assembleia regular da MARCHA, que será antecipada para o primeiro trimestre de 2027. Devido à natureza do trabalho, prevê-se que o encontro seja presencial.
O Conselho Diretivo está avaliando diferentes locais para a reunião. Porto Rico e a Jurisdição Nordeste haviam sido considerados inicialmente, já que a vez seria deles pelo sistema de rodízio de sedes. No entanto, o clima de inverno no Nordeste e as datas propostas, inadequadas para Porto Rico, levaram à análise de outras alternativas, como Texas ou Flórida.
A MARCHA também mantém conversas com organizações especializadas em justiça migratória para avaliar as condições de segurança antes de definir o local. O Conselho Diretivo espera anunciar o local e o cronograma até o final de outubro.
Uma voz profética diante da realidade migratória
A realidade migratória esteve presente de forma transversal nas conversas da MARCHA. Durante o culto e outras atividades, foram lembrados imigrantes e membros das comunidades que faleceram em decorrência de ações violentas das autoridades migratórias dos Estados Unidos.
A preocupação estava ligada a uma questão mais ampla sobre a responsabilidade profética da MARCHA e sua capacidade de representar as comunidades hispano-latinas.
“Como continuamos a levantar as vozes de nossos irmãos e irmãs imigrantes?”, foi uma das perguntas que permearam as discussões, disse Escobar, acrescentando que essa responsabilidade do caucus “inclui continuar desenvolvendo espaços educativos sobre imigração e participação cívica, com o objetivo de ajudar as comunidades a discernir quais autoridades podem trabalhar em prol dos imigrantes”.
A MARCHA também se prepara para levar essa perspectiva à próxima Conferência Geral da Igreja Metodista Unida.
Liderar com coragem em um contexto de incerteza
Para Escobar, o desafio migratório também levanta questões sobre a maneira como a própria Igreja exerce sua liderança. Ao explicar a decisão de modificar o formato da reunião anual, a presidente da MARCHA associou-a ao chamado para “amar com ousadia, liderar com coragem e servir com alegria”.
“O que significa liderar com coragem quando nossa Igreja ainda cogita realizar sua Conferência Geral em Minnesota — com tudo o que aconteceu naquela região e sabendo que há irmãos e irmãs que vêm de fora dos Estados Unidos, especialmente de países afetados pelas políticas deste governo?”, questionou ela.
Para a MARCHA, a questão transcende o local onde as reuniões são realizadas. Trata-se de determinar como construir uma Igreja verdadeiramente inclusiva e capaz de ouvir as vozes das comunidades que enfrentam maiores vulnerabilidades.
Fortalecer os vínculos com a América Latina
A revisão da MARCHA também abre a possibilidade de aprofundar as relações com as comunidades metodistas da América Latina.
Embora a incorporação de novos grupos não tenha feito parte formalmente da resolução aprovada, Escobar destacou a intenção de fortalecer os vínculos com a Missão Metodista em Honduras e com o Conselho de Igrejas Evangélicas Metodistas da América Latina e do Caribe (CIEMAL).
Escobar explicou que a MARCHA já havia convidado representantes de Honduras e do CIEMAL para participar de seus espaços. O objetivo agora é retomar e aprofundar essas relações para que as vozes das comunidades metodistas latino-americanas estejam presentes no diálogo do caucus.

Diante do receio de que integrantes da comunidade hispano-latina fossem detidos durante seus deslocamentos sob as políticas migratórias de Trump, a MARCHA substituiu sua reunião presencial por um encontro virtual e agora busca redefinir seu papel diante dessa realidade. Em português, o cartaz destaca o tema "Fundo de Dotação Bispo Elías Galván", e o lema "Investimos no nosso futuro construindo o futuro da MARCHA". Fotocomposição: Rev. Gustavo Vasquez, Notícias MU.
O Fundo de Dotação Elías Galván
Outro projeto que ganhou impulso é a renovação do fundo de dotação da MARCHA, que passará a se chamar Fundo de Dotação Elías Galván da MARCHA, em reconhecimento ao primeiro bispo metodista unido de origem hispânica, que também esteve profundamente ligado à fundação e ao desenvolvimento da organização.
O fundo tem origem em uma iniciativa promovida durante a presidência da Revda. Lizette Pérez e estava anteriormente vinculado à promoção de adesões vitalícias à MARCHA.
O processo perdeu força durante a pandemia de COVID-19, quando a organização precisou concentrar-se em atender a novas necessidades. Em 2025, o Conselho Diretivo recebeu o mandato de retomar o trabalho e elaborar um plano para fortalecê-lo; para isso, foi criada uma equipe interdisciplinar composta por clérigos e leigos.
Antes de lançar uma nova campanha de arrecadação, a MARCHA está consultando seus membros e a comunidade: “Queremos saber qual é o compromisso das pessoas com a missão e a visão da MARCHA”, explicou Escobar.
A consulta busca conhecer não apenas a disposição para fazer contribuições financeiras, mas também os contatos, as conexões e outros recursos que poderiam contribuir para o fortalecimento da organização.
Uma organização preparada para uma nova etapa
Os acordos e as conversas da MARCHA apontam para uma etapa de transformação que vai além de sua recente reunião anual.
A revisão de seus estatutos e de sua estrutura visa responder às mudanças vivenciadas pela Igreja Metodista Unida e pelas comunidades hispano-latinas que ela serve. Ao mesmo tempo, a organização busca fortalecer sua capacidade de exercer uma voz profética diante da realidade migratória e ampliar suas conexões com as comunidades metodistas da América Latina.
Para Escobar, o desafio consiste em construir uma organização capaz de representar as vozes de suas comunidades e contribuir para uma Igreja que não concentre o poder e a voz apenas nos Estados Unidos, mas que seja verdadeiramente inclusiva e conectada às realidades das comunidades.
Dessa forma, os próximos meses serão decisivos para a MARCHA. A revisão organizacional, o fortalecimento de seus vínculos latino-americanos, a defesa das comunidades imigrantes e a renovação de sua capacidade financeira definirão boa parte da agenda do caucus durante o próximo ano.
*O Rev. Gustavo Vásquez é coordenador de Relações Hispano-Latinas da Comunicação Metodista Unida. Para consultas à Notícias MU, entre em contato pelo telefone (615) 742-5470 ou pelo e-mail IMU_Hispana-Latina@umcom.org. Para dúvidas sobre a Notícias MU, entre em contato pelo telefone (615) 742-5470 ou pelo e-mail IMU_Hispana-Latina@umcom.org.
** Sara de Paula é tradutora. Para contacta-la escreva para IMU_Hispana-Latina@umcom.org.